“Ela sempre gostou mais dele.” “Ele nunca briga comigo, só com ela.” Se você tem mais de um filho, provavelmente já ouviu (ou pensou) alguma versão dessa frase. O ciúme entre irmãos é um dos temas que mais aparece nas minhas consultas com pais de crianças de 7 a 10 anos — e, ao contrário do que muita gente pensa, ele não é sinal de que algo está errado na família. É parte esperada do desenvolvimento.
Por que acontece
Nessa idade, a criança já tem consciência social suficiente para comparar — quem ganhou mais atenção, quem foi elogiado, quem “se deu bem”. Isso é normal. O problema não é o ciúme em si, mas como ele é tratado em casa.
O que evitar
Comparações diretas (“por que você não é organizado como seu irmão?”) tendem a piorar a rivalidade, mesmo quando a intenção é motivar. Também vale evitar assumir automaticamente que um dos dois é sempre o “culpado” nos conflitos — isso reforça papéis fixos que a criança carrega por anos.
O que ajuda
Tempo individual com cada filho, mesmo que curto, faz muita diferença — a criança precisa sentir que tem espaço só dela, sem dividir com o irmão. Ensinar resolução de conflito (“o que você pode fazer da próxima vez, em vez de gritar?”) tende a funcionar melhor do que apenas separar e punir. E reconhecer publicamente as qualidades de cada um, sem compará-las entre si, ajuda a reduzir a competição.
Esse cuidado com a identidade individual de cada filho, dentro de uma família que funciona como comunidade, é um dos princípios que exploro em Atos que Ecoam — disponível na Amazon.


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